ALEXANDRE MARTINS Braggio lembra: crédito fácil e a mídia também contribuem Para o economista Pedro Luiz Braggio, uma grande parcela da população brasileira está endividada porque as pessoas não sabem lidar com dinheiro e não conseguem definir prioridades.
Braggio recebe, diariamente, dezenas de pessoas. Querem saber como se livrar das dívidas. "O crédito fácil e todos os impulsos lançados pela mídia são fatais", diz. O trabalho dele equivale ao de um médico. Começa com uma avaliação do 'paciente', passa pela fase de tratamento financeiro e, em grande parte dos casos, requer o que o consultor define como "reeducação financeira".
"Antes de tentar pagar a dívida, a pessoa precisa entender que tem um problema chamado 'compulsão' e tem que buscar apoio. Às vezes, é preciso acompanhamento psicológico e também de um consultor financeiro", acredita.
Despesa não é dívida - Na opinião do especialista, é preciso ter noção perfeita do que é "despesa" e do que é "dívida". "As despesas do mês são uma coisa: "Nós só podemos gastar aquilo que ganhamos", define. Entre as principais dicas para quem já está endividado, ele cita: "Peça para o seu gerente reduzir limites de cheque especial ou de cartão de crédito; deixe os cartões (de crédito e de débito) em casa, só os utilizando quando tiver um gasto programado; retire todo o dinheiro da conta, pondo em envelopes com nomes: luz, telefone, escola, carro, supermercado etc".
Por fim, Braggio lembra que é preciso ter calma até para negociar uma dívida. "As pessoas têm hábito de aceitar propostas indecentes". Ele exemplifica: é comum ir ao banco com uma dívida de R$ 1 mil, o gerente oferecer parcelamento em 10 vezes de R$ 120 - e o cliente aceitar. "Está errado. Negocie só os R$ 1 mil". |